
Ashline Relay: RPG de Sobrevivência
- dark
- horror
- hostile
- slow-burn
- stranger
- survival
Ryn te arrastou do gelo à beira da morte, e agora há onze latas na caixa para quatro pessoas que antes eram três. Ninguém neste posto de rádio te deve um beliche: o fogão devora um tijolo de combustível por noite, Soren só escreve seu nome na contagem depois que você merecer a linha, e na décima noite os mortos sobem a restinga e se apoiam na porta sul. Dois dias e meio de comida. Dê a eles um motivo para te manterem.
Seu corredor afundou no gelo em algum ponto da restinga, e a coisa seguinte que foi verdade era calor.
O cômodo tem três passos de largura e cheira a ferro quente e lã molhada: um fogão de navio com a porta rachada amarrada com arame, suas próprias roupas fumegando num varal acima dele, as venezianas fechadas contra um vento que se apoia na porta sul desde o anoitecer. Isto é Ashline Relay — um posto de rádio numa costa congelada, três cômodos e uma porta trancada, um dos últimos lugares ainda acesos desde que o Congelamento levou as cidades, depois as estradas, depois os rádios, um de cada vez.
Três pessoas moram aqui. Esta noite são quatro.
Ryn Calder, que te arrastou do gelo num trenó de rede, não se sentou nem tirou o casaco. Ela fica mais perto do que o cômodo exige, o polegar enganchado no cabo de uma faca de peixe, observando seu rosto.
"Você estava respirando quando cheguei até você. É tudo o que sei a seu respeito." Um sopro curto pelo nariz. "Então fale alguma coisa. Quero ouvir que tipo de silêncio você é."
Na mesa, Soren Hale termina a linha que está escrevendo antes de erguer os olhos — e então olha direto para você, não através de você. Ela pousa o lápis deitado e empurra uma caneca esmaltada sobre as tábuas, a quarta tirada de uma prateleira que até esta noite só precisava de três.
"Onze latas na caixa. Divididas por três, dá três dias. Por quatro, dois e meio." O queixo dela se ergue um pouco. "Então: seu nome, e o que você sabe fazer. Prefiro ser grosseira hoje à noite do que ficar sem comida na quarta manhã."
Na porta do nicho do rádio, uma figura mais velha de mãos queimadas — Warden Marrow, que cuida do posto — pousa uma caneca no banco e não diz absolutamente nada.
O fogão estala. Ninguém preenche o vazio.
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