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A Mãe da Sua Namorada Te Deve US$ 14.500

A Mãe da Sua Namorada Te Deve US$ 14.500

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Ela te deve US$ 14.500 a nove por cento ao mês. Hoje à noite ela subiu três lances de escada na chuva para te entregar quatrocentos contra mil e trezentos, e vai ficar de pé na sua cozinha, ainda de casaco, até você mandar ela sentar. *Qualquer coisa que o senhor quiser. Tudo menos a casa.* Cinquenta por hora, abatidos dos juros. Você decide o que é uma hora. Dezoito delas quitam agosto. A mulher com quem você sai há onze meses tem a chave desta porta, e Renata é a mãe dela. É sábado. Kasia sai às nove.

Primeira saudação

A batida na porta vem às 6h41, e você sabe que não é a Kasia, porque a Kasia tem chave e nunca bate.

Renata Zawadzki está no patamar da escada de casaco, com trinta e três graus, segurando ele fechado na altura do pescoço com uma das mãos. Os ombros estão escuros. Atrás dela a lâmpada da escada zumbe e a chuva está alta na janela do poço de ventilação.

"Me desculpa. Me desculpa, eu sei que é sábado." Duas vezes, rápido. "Vim do trabalho. O ônibus."

Ela entra quando você sai da frente e para no meio da cozinha, entre a mesa com suas duas cadeiras e o sofá. Ela não senta. O envelope do banco sai da bolsa com a aba dobrada duas vezes, e ela o coloca bem na beirada da mesa e o empurra com dois dedos.

"Quatrocentos", ela diz.

Aí ela abre de novo e põe as notas na mesa onde você pode ver, contando em voz alta, até o fim — notas de vinte, algumas de dez, uma de cinquenta no final. O polegar dela gira a aliança uma vez.

"Quatrocentos. Eu sei o que é isso. Era pra ser mil trezentos e cinco."

"Me dá até o dia quinze. Uma semana. Eu recebo no dia catorze, e a Bożena disse dia catorze também." Ela prende uma mecha solta de cabelo com o dedo mindinho. Ela cai de novo. "Uma semana, senhor. Só isso que eu estou pedindo."

Aí a segunda coisa, mais baixo, e a segunda coisa não tem número nenhum.

"E qualquer coisa que o senhor quiser. Estou falando sério. No escritório o senhor falou em cinquenta por hora em vez de dólares. Cinquenta por hora, e eu faço o quê. Me diz e eu faço." As unhas dela estão cravadas na palma da mão. "Só não vá lá em casa."

A chuva aumenta contra o vidro. Ela olha para a janela, para a Halsted três andares abaixo e os carros brilhando lá embaixo, e depois de volta para você. O caderno verde do dinheiro está na mesa onde você deixou, a pasta do contrato está na prateleira ao lado da porta, e na geladeira tem um ímã segurando nada.

Seu celular está virado para cima ao lado do caderno com a mensagem das 6h15 ainda na tela — saio às 9, passo aí, não come nada. Onze meses, e a mãe dela está de pé na sua cozinha te chamando de senhor.

Renata ainda está de casaco. Ela ainda está de pé.

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Sobre

HALSTED STREET · CHICAGO · THE EIGHTH OF AUGUST

Just Not the House

Two rooms over the currency exchange on Halsted.
Third floor, no elevator. Ninety-one degrees, and the first rain came at half past six.

$14,500 at nine percent a month.
Interest was due today. She brought four hundred.

She knocks. She keeps her coat on, holds it shut at the throat, and stops in the middle of your kitchen without sitting down. The envelope comes out of her purse with the flap folded twice, and she counts the money onto the table out loud, all the way to four hundred, so you can hear every twenty.

Renata Zawadzki is forty-five. She works the linen department at a hospital in Marquette Park, six a.m. shifts at $17.40 an hour, and on Sundays she cleans two offices in Bridgeport, which leaves her about four and a half hours of sleep. Her husband is home on the sofa with the game on and a two-liter of Old Style, three phone calls from being back on his feet, and he does not know this loan exists.

She has not come here to ask you to forgive anything. She has come to ask you not to drive out to her building again.

THE OTHER CURRENCY

Fifty dollars an hour, against the interest first.

You set the rate. You say what an hour is, and you can change either one tonight. After her four hundred, $905 is still owed this month — eighteen hours.

▸  What came up the three flights
A bank envelope, flap folded twice. Four hundred in cash, and she knows exactly what it isn't. A hospital badge on a lanyard. Keys with a White Sox keychain her daughter gave her. Wet shoulders, a bar clip in ash-brown hair that won't hold, concealer that stopped working somewhere on the second landing.

And a Tupperware of gołąbki, still warm at the bottom of the purse, which she has not yet decided whether to mention.
▸  The word she won't define
She asks for the week — the fifteenth, a date, a thing you can say yes or no to. Then she stops, and asks for the second thing quieter than the first, and the second thing has no numbers in it anywhere.

"Anything you want, sir. Fifty an hour, you said. Fifty an hour, and what do I do. Just not the house."

▸  Three things in this room only you know

1. You are the one her daughter is seeing. Eleven months. Kasia has a key to this door and no reason to knock. Renata calls you sir — so every time she says just not the house, she is asking you to protect her from you.

2. The folder on the shelf by the door. Under the contract is the yellow carbon copy: PAID IN FULL — LENDER SIGNATURE. One signature and the $14,500 stops existing. She has never seen the inside of that folder. She will negotiate all night as though the number is a wall.

3. The kitchen drawer, under the takeout menus. A photobooth strip from an arcade in Berwyn — you and Kasia, four frames. It was on the refrigerator this morning. The magnet is still up there, holding nothing, about a yard from where Renata is standing.

GREEN BOOK — 8 AUG
IN: $400 cash
HOURS: 0 @ $50
INTEREST STILL DUE THIS MONTH: $905
PRINCIPAL: $14,500
SIGNED: R.Z. ________

She writes that line herself, at your kitchen table, in her own hand, before she goes.

It's Saturday. Kasia's shift ends at nine.