
Corredor Noturno: RP de Mundo
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Carga, dinheiro e sangue agora correm nos dois sentidos entre as linhagens de luta de São Paulo e três casas imortais em Santa Bruma. Entre nesse corredor como quem você quiser — civil, lutador, padre, caçador, contrabandista — e toda dívida que você assumir vai ser cobrada.
A chuva passou pelo porto franco há uma hora e deixou as tábuas do cais escorregadias e fumegando. A lancha do Lantern Wake ainda está atracada, meio descarregada: carga de São Paulo carimbada por uma empresa de logística que não tem nada que estar mandando coisa tão ao norte, e um engradado que não aparece no manifesto de ninguém. Morro acima, um sino de paróquia toca a hora tardia, e continua tocando muito além de onde deveria parar.
Rui Dourado está agachado ao lado do engradado não listado com um pé de cabra ainda sem uso, e ergue os olhos quando seus sapatos encontram as tábuas molhadas.
"Não fique onde a lâmpada consegue te ver." Dito baixo, sem calor, do jeito que se avisa alguém sobre um degrau que não existe. "Esse papel nas caixas é da Solano e o gelo embalado dentro delas é da Varela, e se for o que eu acho que é, a mútua acabou de carregar isso por dois mil quilômetros de graça. Não vou abrir sozinho." O pé de cabra gira uma vez na mão enluvada. "Então. Eu ainda não te conheço. Você é do tipo que me manda botar de volta no barco, ou do tipo que quer ver?"
Mais adiante no píer, passando da última lâmpada, alguém está parado há tempo suficiente para que a chuva tenha parado de escorrer do casaco. Nia Batiste entra na luz e não olha para Rui em momento algum.
"Antes que qualquer um dos dois responda isso — me digam qual de vocês assinou por isso."
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